O Facebook, plataforma da Meta, foi a empresa que mais recebeu recursos de campanhas eleitorais no Brasil em 2024, com valor que atingiu quase R$ 200 milhões, conforme dados do Divulgacand, sistema de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número representa um crescimento exponencial em relação a eleições anteriores: em 2014, o total registrado foi de apenas R$ 1.700; em 2018, R$ 23,2 milhões; em 2022, valores ainda menores que os de 2024. Esse montante corresponde a 3% de todos os gastos eleitorais declarados no ano, que somaram R$ 6,6 bilhões. O candidato que mais investiu nas plataformas foi Guilherme Boulos (PSOL-SP), com R$ 8,8 milhões destinados ao Facebook e Instagram. Em seguida, aparecem Evandro Leitão (PT-CE), com R$ 5,8 milhões, e José Sarto (PDT-CE), com R$ 4,9 milhões. O segundo maior recebedor de verbas eleitorais foi uma empresa de pagamentos, com R$ 76,4 milhões — menos da metade do valor recebido pela Meta.
 
Evolução dos valores: de R$ 1.700 a R$ 200 milhões
 
A presença do Facebook como fornecedor eleitoral começou de forma tímida. Em 2014, apenas um candidato a deputado federal em Santa Catarina declarou gasto de R$ 980 com a empresa — valor corrigido pela inflação equivale a cerca de R$ 1.700. Em 2016, quatro candidatos somaram R$ 1.000 em gastos com criação de páginas. A virada ocorreu em 2018, quando a plataforma recebeu R$ 23,2 milhões, com destaque para Minas Gerais, onde os candidatos ao governo estadual foram os maiores investidores. De lá para cá, o crescimento foi contínuo: 2020 e 2022 consolidaram a empresa entre os principais fornecedores do país, até o salto para quase R$ 200 milhões em 2024.
 
Concentração de recursos e risco de monopólio
 
Especialistas classificam a situação como um monopólio de fato. Felipe Soutello, estrategista político com quase 30 anos de experiência, destaca que a Meta foi a única grande rede social a aceitar recursos do fundo eleitoral e assinar as regras do TSE em 2024. Empresas concorrentes, como a Alphabet (Google e YouTube), impuseram restrições ou proibiram anúncios políticos no mesmo período. Para Soutello, é contraditório que a legislação brasileira concentre volume expressivo de recursos públicos em uma única empresa multinacional, ao mesmo tempo que restringe o uso de outros meios de comunicação — como mídias em pontos de ônibus, relógios públicos, elevadores e shoppings. Ele alerta ainda para a mudança de política da Meta: o fim do programa de checagem de fatos nos Estados Unidos e o retorno de algoritmos que recomendam conteúdo político, sem garantia de verificação, podem impactar diretamente a qualidade da informação no processo eleitoral brasileiro.
 
Bruno Andrade, especialista em Direito Eleitoral e doutorando pela UERJ, reforça que a concentração gera risco à soberania nacional, já que a maior parte da estrutura da Meta está sediada nos Estados Unidos. Ele alerta também para o tratamento desigual dado pela legislação eleitoral: enquanto redes sociais não têm teto de gastos ou restrições para receber verbas de campanha, veículos de comunicação tradicionais — rádio, televisão e impressos — enfrentam limites e proibições. Andrade defende que a regra deve ser igual para todos: se não há limite para redes sociais, também não deveria haver para outros meios. Ele sugere ampliar a permissão de investimento publicitário eleitoral para rádios, TVs e mídias impressas, de forma a diluir o poder de influência de uma única plataforma.
 
Contexto internacional e risco de interferência
 
O tema não é exclusivo do Brasil. Países da Europa vêm crescendo a preocupação com a influência de redes sociais em processos eleitorais. Na Irlanda, o Facebook enfrentou decisão judicial desfavorável por funcionalidade que permitia indicar intenção de voto. Na Alemanha, o proprietário do X foi acusado de interferência eleitoral ao usar a plataforma em apoio a candidatura de extrema direita. Andrade alerta que, sem diversificação de canais, o Brasil permanece vulnerável a mudanças de política interna de empresas sediadas no exterior, que podem afetar diretamente a divulgação de conteúdo político e a segurança do processo eleitoral.
 
Perspectivas para 2026 e comparação
 
A tendência de crescimento dos valores destinados a plataformas digitais deve se manter nas eleições de 2026, com possibilidade de ultrapassar os R$ 200 milhões registrados em 2024. A ausência de regulamentação específica que limite a concentração de recursos em uma única empresa, combinada com as mudanças recentes de política da Meta em relação a checagem de fatos e algoritmos, levanta debates sobre a necessidade de atualização da legislação eleitoral brasileira. O TSE, o Congresso Nacional e a sociedade civil enfrentam o desafio de equilibrar a liberdade de propaganda eleitoral com a garantia de um ambiente informativo plural, verificado e equilibrado, sem domínio de um único veículo sobre a comunicação política no país.
 
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FACEBOOK RECEIVES R$ 200 MILLION IN ELECTORAL FUNDS IN BRAZIL IN 2024 — HISTORICAL COMPARISON AND REGULATORY RISKS
 
Facebook, a platform owned by Meta, was the company that received the most electoral campaign funds in Brazil in 2024, reaching nearly R$ 200 million according to data from Divulgacand, the electoral accountability system of the Superior Electoral Court (TSE). The figure represents exponential growth compared to previous elections: in 2014, the total was just R$ 1,700; in 2018, R$ 23.2 million; in 2022, values still lower than those of 2024. This amount corresponds to 3% of all declared electoral expenditures in the year, which totalled R$ 6.6 billion. The candidate who invested the most in the platforms was Guilherme Boulos (PSOL-SP), allocating R$ 8.8 million to Facebook and Instagram. He was followed by Evandro Leitão (PT-CE), with R$ 5.8 million, and José Sarto (PDT-CE), with R$ 4.9 million. The second-largest recipient of electoral funds was a payment company, with R$ 76.4 million — less than half the amount received by Meta.
 
Evolution of values: from R$ 1,700 to R$ 200 million
 
Facebook’s presence as an electoral vendor began modestly. In 2014, only one federal deputy candidate in Santa Catarina declared an expenditure of R$ 980 with the company — an amount adjusted for inflation equivalent to approximately R$ 1,700. In 2016, four candidates totalled R$ 1,000 in spending on page creation. The turning point came in 2018, when the platform received R$ 23.2 million, with Minas Gerais standing out, where candidates for state governor were the largest investors. From then on, growth was continuous: 2020 and 2022 consolidated the company among the country’s main vendors, until the jump to nearly R$ 200 million in 2024.
 
Concentration of resources and monopoly risk
 
Specialists describe the situation as a de facto monopoly. Felipe Soutello, a political strategist with nearly 30 years of experience, points out that Meta was the only major social network to accept electoral fund resources and sign the TSE rules in 2024. Competitors such as Alphabet (Google and YouTube) imposed restrictions or banned political ads during the same period. For Soutello, it is contradictory that Brazilian legislation concentrates a significant volume of public funds in a single multinational company, while restricting the use of other media — such as advertisements on bus stops, public clocks, elevators and shopping malls. He also warns about Meta’s policy changes: the end of the fact-checking program in the United States and the return of algorithms that recommend political content without verification guarantees may directly impact the quality of information in the Brazilian electoral process.
 
Bruno Andrade, an electoral law specialist and PhD candidate at UERJ, reinforces that the concentration generates a risk to national sovereignty, since most of Meta’s infrastructure is based in the United States. He also points out the unequal treatment under electoral legislation: while social networks have no spending caps or restrictions on receiving campaign funds, traditional media — radio, television and print — face limits and prohibitions. Andrade advocates equal treatment: if there is no ceiling for social networks, neither should there be for other media. He suggests expanding electoral advertising permission to radio, television and print outlets, in order to dilute the influence of a single platform.
 
International context and risk of interference
 
The issue is not exclusive to Brazil. Countries in Europe have been growing increasingly concerned about social media influence in electoral processes. In Ireland, Facebook faced an unfavorable court ruling over a feature allowing users to indicate voting intention. In Germany, the owner of X was accused of electoral interference by using the platform to endorse an extreme-right candidacy. Andrade warns that without diversifying channels, Brazil remains vulnerable to internal policy changes by foreign-based companies, which may directly affect political content dissemination and the security of the electoral process.
 
Outlook for 2026 and comparison
 
The upward trend in funds allocated to digital platforms is expected to continue in the 2026 elections, potentially surpassing the R$ 200 million recorded in 2024. The absence of specific regulation limiting concentration of resources in a single company, combined with Meta’s recent policy changes regarding fact-checking and algorithms, fuels debates on the need to update Brazilian electoral legislation. The TSE, the National Congress and civil society face the challenge of balancing freedom of electoral propaganda with the guarantee of a plural, verified and balanced information environment, without allowing a single platform to dominate political communication in the country.
 
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フェイスブック、2024年ブラジル選挙で2億レアルの広告収入——歴史的比較と規制上のリスク
 
メタ社が運営するフェイスブックは、2024年のブラジル選挙運動で最も多くの資金を受け取った企業となり、総額は約2億レアルに達した。ブラジル最高選挙裁判所(TSE)の会計報告システム「Divulgacand」のデータによる。この金額は過去の選挙と比較して飛躍的に増加しており、2014年はわずか1,700レアル、2018年は2,320万レアル、2022年も2024年を下回る水準だった。2024年の総選挙費用は66億レアルで、その3%にあたる。最も多く投資した候補者はサンパウロ市長選挙のギリェルメ・ボウロス(PSOL)で、フェイスブックとインスタグラムに計880万レアルを投じた。続いてセアラ州フォルタレザ市長選の当選者エヴァンドロ・レイトン(PT)が580万レアル、落選者ホセ・サルト(PDT)が490万レアルを支出した。二番目に多くの広告料を受け取った決済代行会社は7,640万レアルで、メタ社の半分以下にとどまった。
 
金額の推移:1,700レアルから2億レアルへ
 
選挙運動におけるフェイスブックの利用は当初極めて限定的だった。2014年はサンタカタリナ州の連邦下院議員候補1人が980レアルを支出したのが最初の記録で、インフレ調整後は約1,700レアルにあたる。2016年は4人の候補者が合計1,000レアルを支出。転換点は2018年で、この年に2,320万レアルが投じられ、特にミナスジェライス州の知事選候補の支出が突出していた。以降増加は続き、2020年、2022年と順調に規模を拡大し、2024年には2億レアルに達した。
 
資源の集中と独占のリスク
 
専門家たちはこの状況を事実上の独占と批判する。政治戦略家のフェリペ・ソウテロ氏は、2024年の選挙ではメタ社だけがTSEの規則に同意し選挙資金を受け入れた大手SNSであり、グーグルやユーチューブは政治広告を制限または禁止していた点を指摘する。同氏は、法制度が巨額の公的資金を単一の多国籍企業に集中させる一方、バス停、時計、エレベーター、商業施設など他の広告媒体の利用を制限することは矛盾していると主張。また、米国で事実確認プログラムを廃止し、政治コンテンツの推奨アルゴリズムを復活させるというメタ社の方針変更が、ブラジルの選挙における情報の信頼性を脅かす可能性を警告する。
 
選挙法専門家のブルーノ・アンダラーデ氏は、メタ社の基盤が米国にあることから、資源の集中は主権と国家安全保障のリスクになりかねないと指摘。さらに、SNSには支出上限や規制がないのに対し、テレビ、ラジオ、新聞などの伝統的メディアには厳しい制限が課せられている点を問題視し、「SNSに規制がないのであれば、他のメディアにも同じ基準を適用すべき」と主張する。また、広告媒体の多様化により、特定企業の影響力を分散させる必要性を訴える。
 
国際的な懸念と干渉のリスク
 
この問題はブラジルに限らない。欧州各国ではSNSの選挙への影響に対する懸念が強まっている。アイルランドでは投票予定表示機能が司法上の問題となり、ドイツではX(旧ツイッター)のオーナーが選挙干渉を非難された事例がある。アンダラーデ氏は、広告媒体の多様化が進まない限り、海外企業の方針変更がブラジルの選挙プロセスに直接影響を与え続けると警告する。
 
2026年の見通しと比較
 
デジタル広告への支出増加傾向は2026年の選挙でも続くと予想され、2024年の2億レアルを上回る可能性が高い。単一企業への資金集中を規制する法整備が進まない中、事実確認体制の縮小とアルゴリズムの変更が重なり、情報の公正性と安全性が問われている。最高選挙裁判所、連邦議会、市民社会は、言論の自由と情報の多様性を両立させる新たな枠組み作りに直面している。
 
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脸书2024年在巴西选举中收取2亿雷亚尔广告费——历史对比与监管风险
 
Meta旗下的脸书平台在2024年巴西选举中成为收受竞选资金最多的企业,总额接近2亿雷亚尔,数据来自巴西最高选举法院(TSE)的公开会计系统。这一数字呈现爆发式增长:2014年仅1,700雷亚尔,2018年达2,320万雷亚尔,2022年仍低于2024年水平。2024年全国选举总支出66亿雷亚尔,其中3%投入到该平台。圣保罗市长候选人吉列尔梅·博洛斯(PSOL)在脸书与Instagram投入880万雷亚尔,为全国最高。塞阿拉州福塔雷萨市长当选者埃万德罗·莱顿(PT)投入580万雷亚尔,前任市长何塞·萨尔托(PDT)投入490万雷亚尔。第二名收款企业为支付平台,总额7,640万雷亚尔,不足Meta的半数。
 
金额演变:从1,700到2亿雷亚尔
 
平台在选举中的应用起步极晚。2014年仅有圣卡塔琳娜州一名联邦众议员候选人申报980雷亚尔支出,经通胀调整约合1,700雷亚尔。2016年四名候选人合计支出1,000雷亚尔。转折点在2018年,当年收款达2,320万雷亚尔,米纳斯吉拉斯州州长候选人支出尤为突出。此后持续增长,2020与2022年稳居前列,至2024年跃升至2亿雷亚尔。
 
资源集中与垄断风险
 
专家指出这已构成事实上的垄断。资深政治策略师费利佩·索特洛表示,2024年大选期间Meta是唯一接受选举资金并签署TSE规范的大型社交平台,谷歌、YouTube等则限制或禁止了政治广告。他批评立法将巨额公共资金集中于单一跨国公司,却限制公交站牌、户外广告、电梯媒体等其他宣传渠道,规则明显失衡。Meta宣布在美国终止事实核查项目、恢复政治内容推荐算法,更引发对信息真实性与选举公正性的担忧。
 
选举法专家布鲁诺·安德拉德指出,Meta总部位于美国,资金高度集中将对国家信息主权构成潜在威胁。他同时指出立法存在双重标准:社交平台广告金额无上限,而广播电视、报纸等传统媒体则受到严格限制。他主张各类媒体应适用同等规则,并建议放开对传统媒体的广告限制,以分散单一平台的影响力。
 
国际背景与干涉风险
 
对社交平台干预选举的担忧具有全球普遍性。爱尔兰曾因投票意向显示功能引发诉讼,德国X平台所有者被指控公开支持极右翼候选人、涉嫌干预选举。专家警告,若宣传渠道持续单一化,海外企业的政策变动将直接影响巴西选举信息环境,削弱国家对选举过程的自主掌控能力。
 
2026年展望与对比
 
数字广告投入的增长趋势预计将在2026年大选中延续,总额可能突破2024年的2亿雷亚尔。在缺乏反垄断与平台责任立法的背景下,事实核查机制弱化与算法调整将进一步放大单一平台对政治舆论的影响力。巴西最高选举法院、国会与社会各界亟需建立平衡框架,既保障言论自由,也维护信息多元与选举安全。
 
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